Há um lado meu que, durante muito tempo, ficou guardado — não por vergonha, mas por puro hábito. Aquela parte geek, apaixonada por universos paralelos, personagens complexas, histórias de fantasia e ficção científica… sempre existiu. E, quando finalmente deixei que ela respirasse, percebi o quanto molda quem sou hoje.
Pouca gente sabe que eu cresci entre dois mundos: o real e o imaginário. Se no Brasil eu tinha o calor da rotina, era nos jogos, nos filmes e nos livros que eu encontrava a minha expansão. E esse lado geek viajou comigo até Lisboa. Continua aqui — agora, mais forte e vivo do que nunca.
Sou aquela pessoa que se emociona com finais de sagas, que defende personagens como se fossem amigos próximos, que analisa trilhas sonoras de jogos como quem estuda poesia. Sou a que passa horas a montar setups, ajustar luzes e procurar detalhes que ninguém nota mas que fazem tudo ganhar vida.
Ser geek nunca foi para mim sobre “fugir do mundo real”. Foi sobre ampliá-lo. Foi sobre ter espaços para respirar quando a vida parecia estreita demais. É um pedaço meu que me lembra diariamente que a criatividade é infinita — e que crescer não significa abandonar o encantamento.
Quando falo de universos geeks, falo de casas onde sempre posso voltar. Mundos onde não preciso pedir licença para ser intensa, curiosa ou emocional demais. Um lembrete constante de que, mesmo adulta, posso continuar a ser encantada.
