Viajar sozinha é um dos gestos mais corajosos — e mais libertadores — que já fiz por mim. No início, existia o medo natural: o receio do desconhecido, da solidão, da ausência de um “porto seguro”. Mas, quando finalmente dei o primeiro passo, percebi que o mundo é menos ameaçador e muito mais acolhedor do que nos ensinaram.
Há algo mágico em entrar num avião sozinha. É como arrancar etiquetas antigas: expectativas dos outros, versões nossas que ficaram pequenas, medos herdados. Viajar sem companhia é, na verdade, viajar com a melhor companhia possível — nós mesmas.
Em cada país, encontrei uma versão minha diferente. Em alguns lugares fui mais ousada, noutros mais introspectiva. Às vezes senti-me gigante; noutras, percebi o tamanho real da vulnerabilidade humana. Mas em todas as viagens, sem exceção, voltei com mais camadas.
Descobri que a solidão não é inimiga. Ela é guia.
Que o silêncio de uma cidade estranha pode ser mais curador do que qualquer conversa conhecida.
E que estar sozinha nunca significou estar incompleta — apenas inteira demais para me encaixar nos mesmos espaços.
Viajar sozinha transformou a forma como me vejo, como vejo o mundo e como escolho os caminhos que trilho daqui para frente.
A verdade é simples:
viajar sozinha não é fugir — é voltar a si mesma, país após país.
