Cada fase da minha vida tem uma trilha sonora — e não digo isso como metáfora. A música acompanha-me desde o momento em que acordo, molda o ritmo do meu dia e, muitas vezes, traduz sentimentos que eu ainda não sei colocar em palavras.
Nas manhãs tranquilas, deixo tocar músicas suaves, quase como um abraço silencioso: MPB leve, vozes femininas doces, melodias que me fazem sentir presente. É como se fossem a minha cerimónia diária de “acordar para mim mesma”.
Durante o trabalho, entro noutra frequência. Sons eletrónicos, lo-fi, trilhas instrumentais — aquilo que me mantém focada e alinhada. Não é barulho. É energia.
E à noite, quando o mundo acalma, deixo o romantismo assumir a sala. Baladas, R&B, músicas antigas que me lembram de quem já fui. Às vezes, danço sozinha. Noutras, apenas deixo a música ocupar o espaço que sobra dentro de mim.
A verdade é que as minhas playlists contam a minha história melhor do que eu. E é por isso que a música nunca é casual. Ela é companhia, é cura, é confissão.
Se um dia quiserem saber como estou — basta ouvir o que estou a ouvir.
